Violência doméstica: o que fazer, como denunciar e quais são os direitos da vítima

Violência doméstica: entender o que está acontecendo já é o primeiro passo para buscar proteção

Violência doméstica não é apenas agressão física. É também controle financeiro, ameaça constante, humilhação repetida, isolamento da família e dos amigos, e uma série de comportamentos que, muitas vezes, a própria vítima demora anos para reconhecer como violência. Entender essas formas, todas elas, é o primeiro passo para buscar ajuda e proteção legal.

As formas de violência reconhecidas por lei

A legislação brasileira reconhece cinco tipos de violência doméstica, física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência física é a mais visível, mas frequentemente não é a primeira a aparecer. A violência psicológica, marcada por ameaças, humilhações, manipulação e isolamento social, costuma vir antes, e é justamente por ser menos evidente que passa despercebida por mais tempo, tanto pela vítima quanto por quem está ao redor.

A violência patrimonial, por sua vez, envolve o controle ou a destruição de bens, documentos e recursos financeiros da vítima, uma forma de violência que dificulta ainda mais a saída da situação, já que compromete a autonomia econômica necessária para reconstruir a vida.

Dados que mostram a dimensão do problema

Os números recentes ajudam a entender por que esse tema exige atenção constante. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais de 621 mil medidas protetivas de urgência concedidas em 2025, um aumento superior a 11% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram registrados 1.568 feminicídios, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o mesmo levantamento. Desde a tipificação desse crime, em 2015, mais de 13.700 mulheres já foram assassinadas no Brasil em razão de sua condição de mulher.

Esses dados não existem para gerar medo, existem para reforçar uma mensagem prática, buscar proteção o quanto antes, e da forma juridicamente correta, faz diferença real na segurança da vítima.

Como denunciar com segurança

A denúncia pode ser feita em qualquer Delegacia de Polícia, preferencialmente em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde existe estrutura voltada especificamente para esse tipo de atendimento. Também é possível acionar o número 180, Central de Atendimento à Mulher, que orienta e encaminha a vítima, e o número 190, para situações de emergência imediata.

O registro do boletim de ocorrência é importante, mas não é o único caminho. É possível, inclusive, solicitar diretamente ao juízo as medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha, sem necessidade de aguardar o desfecho de um inquérito policial, justamente para garantir proteção rápida à vítima.

O crime não termina na esfera penal

Além da responsabilização criminal do agressor, que pode envolver desde lesão corporal qualificada até outros tipos penais conforme a gravidade dos fatos, a vítima também pode buscar reparação civil por danos morais e materiais decorrentes da violência sofrida. Esses caminhos, criminal e civil, podem ser conduzidos simultaneamente, sem que um dependa da conclusão do outro.

Perguntas frequentes

Preciso de provas físicas para registrar a denúncia?

Não. O relato da vítima já é suficiente para iniciar o processo. Provas adicionais, como exames de corpo de delito, mensagens, testemunhas e laudos psicológicos, fortalecem o caso, mas não são pré-requisito para a denúncia inicial.

Posso pedir medida protetiva mesmo sem ter registrado boletim de ocorrência?

Sim. As medidas protetivas de urgência podem ser solicitadas diretamente ao juízo, de forma independente do andamento do inquérito policial.

A violência psicológica também pode ser levada à Justiça?

Sim. Desde 2021, a violência psicológica é expressamente tipificada como crime pelo Código Penal, com base em condutas que causem dano emocional e diminuição da autoestima, ou que prejudiquem o desenvolvimento pessoal da vítima.

Orientação jurídica desde o primeiro passo

Cada situação de violência doméstica exige uma estratégia jurídica específica, considerando o tipo de violência sofrida, a urgência da proteção necessária e o histórico do relacionamento com o agressor. A Popolo Advocacia acompanha vítimas desde a denúncia inicial até a condução completa do processo, tanto na esfera criminal quanto na busca por reparação civil.

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