Popolo Advocacia · Direito Previdenciário

Qual o valor do auxílio-acidente?

Em regra, o benefício corresponde a 50% do salário de benefício utilizado para o cálculo. Isso não significa dividir o salário atual do trabalhador pela metade.

Lei 8.213/91, art. 86 Conteúdo revisado por profissional da advocacia Atualizado em agosto de 2026

O auxílio-acidente corresponde à metade do meu salário?

Não necessariamente. Essa é uma confusão comum. A Lei nº 8.213/91 estabelece, em seu artigo 86, que o auxílio-acidente mensal corresponde a 50% do salário de benefício, observadas as regras aplicáveis.

“Salário de benefício” não significa simplesmente o salário que aparece atualmente no contracheque do trabalhador. Trata-se de uma base de cálculo previdenciária apurada a partir das regras previstas na legislação. Por isso, afirmar que “auxílio-acidente é metade do salário” pode levar a uma conclusão incorreta.

Então como o valor é calculado?

De maneira simplificada, existem duas etapas: primeiro, apurar o salário de benefício conforme as regras previdenciárias aplicáveis ao caso; depois, aplicar sobre essa base o percentual de 50% previsto para o auxílio-acidente.

Salário de benefício apuradoR$ 3.000,00 (exemplo) × 50%= R$ 1.500,00 por mês

Isso é apenas uma demonstração matemática. Não significa que uma pessoa que recebe salário de R$ 3.000,00 terá automaticamente auxílio-acidente de R$ 1.500,00. Primeiro é necessário determinar corretamente o salário de benefício conforme a legislação aplicável.

O valor depende do meu salário atual?

Não exclusivamente. O salário atual pode integrar o histórico contributivo do segurado, mas o cálculo previdenciário não deve ser feito simplesmente sobre a remuneração recebida no mês do pedido.

A apuração depende do histórico de contribuições e das regras previdenciárias aplicáveis à situação. Por isso, documentos como o CNIS, o Cadastro Nacional de Informações Sociais, podem ser importantes para o cálculo.

A data do acidente pode influenciar o cálculo?

Pode ser juridicamente relevante. A legislação previdenciária passou por diversas alterações ao longo dos anos, inclusive mudanças relacionadas à forma de cálculo dos benefícios.

A Emenda Constitucional nº 103/2019 produziu importantes alterações no sistema previdenciário brasileiro, e também houve mudanças legislativas posteriores relacionadas aos benefícios por incapacidade e ao auxílio-acidente. Por isso, especialmente em casos situados em períodos de transição legislativa, não é recomendável calcular o benefício apenas com uma fórmula encontrada na internet.

O valor é maior quando a sequela é mais grave?

A gravidade da sequela não estabelece, por si só, percentuais diferentes de auxílio-acidente. Não existe uma tabela em que sequela leve, média e grave correspondam a percentuais distintos. O percentual legal do benefício não é graduado dessa maneira.

STJ, Tema Repetitivo 416

O grau da lesão não impede a concessão do auxílio-acidente quando estiver demonstrada redução da capacidade para o trabalho habitual.

A discussão sobre a extensão da sequela é especialmente relevante para verificar se existem os requisitos de concessão, e não para calcular um percentual diferente. São análises diferentes: existe direito ao benefício, e como o valor deve ser calculado.

Posso receber salário e auxílio-acidente ao mesmo tempo?

Em regra, sim. O auxílio-acidente possui natureza indenizatória, e a pessoa pode continuar exercendo atividade profissional e receber sua remuneração enquanto recebe o benefício, desde que estejam presentes os requisitos legais. O salário remunera o trabalho realizado, e o auxílio-acidente indeniza a redução permanente da capacidade laboral decorrente da sequela.

Se o INSS deveria ter concedido antes, posso receber valores atrasados?

Dependendo do caso, pode existir discussão sobre parcelas anteriores. Isso ocorre, por exemplo, em situações em que o segurado recebeu benefício por incapacidade temporária, teve alta e retornou ao trabalho com sequela permanente, mas o auxílio-acidente não foi implantado.

Entretanto, não é correto simplesmente multiplicar o valor atual do benefício pelo número de meses transcorridos. Um cálculo de atrasados pode exigir análise da data correta de início do benefício, da evolução do valor ao longo do período, de reajustes, prescrição e eventuais decisões administrativas ou judiciais existentes.

Como saber quanto eu poderia receber

Para realizar uma estimativa mais segura, podem ser necessários documentos como o CNIS, a CTPS, a carta de concessão de benefício anterior, o histórico de créditos do INSS, a comunicação de cessação, o processo administrativo e a documentação médica relacionada ao caso.

Com essas informações, é possível identificar o período relevante e verificar a regra de cálculo aplicável.

Cuidado com calculadoras genéricas de auxílio-acidente

Uma calculadora que pergunta apenas “qual é o seu salário?” e imediatamente informa o valor do auxílio-acidente pode apresentar resultado inadequado. O cálculo previdenciário depende de informações que podem não estar representadas pelo salário atual.

Além disso, antes de calcular o valor, existe uma questão ainda mais importante: o segurado preenche os requisitos para receber o auxílio-acidente? Primeiro deve ser analisado o direito. Depois, reconhecida a hipótese juridicamente aplicável, calcula-se o benefício.

A regra do auxílio-acidente utiliza o percentual de 50% do salário de benefício, mas isso não significa simplesmente receber metade do salário atual. Para saber o valor adequado, é necessário identificar a legislação aplicável, o salário de benefício, o histórico contributivo e as datas relevantes do caso.

Quer saber quanto você poderia receber de auxílio-acidente?

Uma estimativa segura depende do seu histórico previdenciário completo, não apenas do salário atual. Converse com a equipe para uma análise baseada nos seus documentos.

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